A solvabilidade é o critério mais importante da avaliação EuroCertif: pesa 30 pontos em 100, ou seja, quase um terço da nota final. Mede a proporção de capitais próprios no total do balanço, ou seja, a capacidade da empresa de absorver os golpes duros sem depender inteiramente das suas dívidas. É também o indicador que bancos, fornecedores e donos de obra olham em primeiro lugar ao avaliar a solidez de um parceiro.
Boa notícia: a solvabilidade não é uma fatalidade, trabalha-se. Eis como reforçá-la de forma durável, nos meses que antecedem o seu pedido de certificação, e porque é que este esforço beneficia muito para além da etiqueta.
O que é a solvabilidade, em concreto?
A solvabilidade calcula-se dividindo os capitais próprios pelo total do balanço. Quanto mais elevado for este rácio, mais a empresa assenta nos seus próprios recursos e menos depende dos seus credores. Em concreto, capitais próprios elevados significam que, em caso de revés — uma obra que descarrila, um cliente que não paga, um período de paragem — a empresa dispõe de uma almofada para encaixar o golpe sem entrar em insolvência.
Na grelha EuroCertif a escala é clara: acima de 40 % de capitais próprios a situação é excelente e vale o máximo de pontos; entre 25 e 40 % é sólida; entre 15 e 25 % torna-se frágil; abaixo de 15 % é preocupante e não dá qualquer ponto neste critério. Conhecer o seu rácio atual é, portanto, o primeiro passo: lê-se diretamente nas suas contas anuais.
Porque é este o critério mais examinado?
Uma empresa pode apresentar um bom volume de negócios e lucros bonitos, mas continuar frágil se estiver fortemente endividada. A solvabilidade corrige essa ilusão: mostra o que restaria realmente se a atividade abrandasse. Por isso um cliente que confia uma obra de várias dezenas de milhares de euros lhe presta tanta atenção como um banco antes de conceder um crédito. Reforçar a solvabilidade não é, portanto, apenas ganhar pontos de certificação: é tranquilizar todo o seu ecossistema.
Reforçar os capitais próprios
A alavanca mais direta consiste em aumentar o numerador do rácio: os capitais próprios. Existem vários meios, do mais simples ao mais comprometedor:
- Destinar parte do lucro a reservas em vez de distribuir tudo em dividendos: é o método mais saudável e durável.
- Realizar uma entrada de capital pelos sócios quando a tesouraria pessoal o permite.
- Converter um suprimento de sócio (dinheiro emprestado à sociedade) em capital, o que transforma uma dívida em capitais próprios.
- Limitar os levantamentos e os dividendos durante os anos de crescimento, para deixar a estrutura consolidar-se.
Reduzir e estruturar o endividamento
A outra alavanca consiste em atuar sobre o denominador, controlando as dívidas. O objetivo não é eliminar todo o endividamento — endividar-se para investir é saudável — mas organizá-lo de forma inteligente:
- Reembolsar ou renegociar prioritariamente as dívidas mais caras (descobertos, créditos com taxas elevadas).
- Substituir o financiamento de curto prazo por financiamento de longo prazo adaptado à vida útil do investimento.
- Evitar financiar compras duráveis (equipamento, veículos) com a tesouraria corrente, que deve permanecer disponível para as obras.
Otimizar a composição do balanço
- Sanear os créditos de clientes: cobrar com firmeza os incumprimentos e recorrer ao factoring se necessário para transformar faturas em liquidez.
- Retirar do balanço os ativos improdutivos que imobilizam recursos desnecessariamente.
- Fasear os grandes investimentos no tempo para não inflacionar artificialmente as dívidas num determinado ano.
Um exemplo numérico
Tomemos uma empresa cujo total de balanço é de 500 000 € e os capitais próprios de 60 000 €, ou seja, uma solvabilidade de 12 % — insuficiente. Destinando 25 000 € de lucro a reservas e convertendo um suprimento de sócio de 20 000 € em capital, os capitais próprios passam para 105 000 €. O rácio sobe então para 21 %, fazendo a empresa passar para um escalão superior da grelha. O mesmo resultado poderia ter sido alcançado combinando a dotação a reservas e a redução de uma dívida cara.
Os erros a evitar
- Esvaziar a tesouraria no fim do ano para reduzir o imposto, à custa de um balanço enfraquecido.
- Distribuir sistematicamente todo o lucro, o que impede a sociedade de se reforçar.
- Multiplicar os créditos de curto prazo para financiar o dia a dia, sinal de uma estrutura sob pressão.
Quanto tempo é necessário?
A solvabilidade não melhora em poucos dias: é o resultado de uma gestão prudente ao longo de um a três exercícios. Quanto mais se antecipar, melhor se apresentará à certificação. O ideal é vigiar o seu rácio todos os anos no fecho de contas e ajustar em conformidade a sua política de distribuição.
Em resumo
Reforçar os capitais próprios, estruturar o endividamento e sanear o balanço: estes três reflexos melhoram mecanicamente a sua solvabilidade, e portanto a sua letra EuroCertif. Para além da etiqueta, é um forte sinal de fiabilidade enviado aos seus clientes e parceiros financeiros. Quando a sua situação estiver consolidada, pode solicitar a sua certificação com toda a serenidade.
EUROCERTIF