A construção é um dos motores da economia belga, mas é também, ano após ano, um dos setores mais afetados pelas falências. Centenas de empresas de construção cessam a sua atividade todos os anos, deixando por vezes para trás obras paradas, adiantamentos perdidos e clientes desamparados.
Compreender porque é que este setor está tão exposto permite proteger-se melhor — quer se seja um empresário preocupado em dar continuidade à sua atividade, quer um dono de obra prestes a confiar um projeto.
Um setor estruturalmente exposto
A construção acumula vários fatores de risco raramente reunidos noutros setores. As obras prolongam-se no tempo, imobilizam tesouraria durante semanas ou meses e dependem de uma longa cadeia de intervenientes: fornecedores, subempreiteiros, gabinetes de projeto. Um único elo deficiente pode emperrar todo o mecanismo.
A isto acresce uma forte ciclicidade: a construção é muito sensível à conjuntura económica, às taxas de juro e à confiança das famílias. Quando o mercado imobiliário abranda, as carteiras de encomendas esvaziam-se rapidamente.
As causas mais frequentes
Por trás de cada falência encontra-se frequentemente uma combinação de fatores, mais do que uma causa única.
- Margens reduzidas: a concorrência puxa os preços para baixo e deixa pouca reserva para absorver um imprevisto.
- Os atrasos de pagamento: um cliente que paga tarde, ou não paga, pode bastar para desequilibrar toda a tesouraria.
- Uma tesouraria tensa: é muitas vezes preciso adiantar materiais e mão de obra muito antes de ser pago.
- A dependência dos subempreiteiros: a falência de um deles pode bloquear uma obra inteira e desencadear penalizações.
- O aumento dos custos: disparada do preço dos materiais ou da energia, difícil de repercutir em orçamentos já assinados.
- Uma gestão aproximada: subestimação dos custos, orçamentos demasiado otimistas, ausência de acompanhamento financeiro.
Sinais que não enganam
Uma empresa em dificuldades envia frequentemente sinais antes da falência. Do lado do cliente, certos indícios devem alertar:
- Pedidos de adiantamentos invulgarmente elevados, sinal de uma necessidade urgente de liquidez.
- Atrasos no arranque ou interrupções de obra inexplicadas.
- Mudanças frequentes de subempreiteiros ou de pessoal.
- Uma relutância em fornecer documentos financeiros ou certificados.
As consequências para o cliente
Para um particular ou um dono de obra, a falência da empresa durante a obra é um dos cenários mais temidos: adiantamento pago mas obras interrompidas, garantias difíceis de acionar e necessidade de encontrar — muitas vezes com urgência e a preço elevado — outra empresa para retomar e terminar o trabalho.
O custo final ultrapassa então largamente o orçamento inicial, sem falar do stress, dos prazos adicionais e dos eventuais processos judiciais. Recuperar o adiantamento de uma sociedade em falência é, na prática, muitas vezes ilusório.
Como reduzir o risco antes de assinar
Nunca se pode eliminar totalmente o risco, mas é possível reduzi-lo fortemente com alguns reflexos simples.
- Interessar-se pela saúde financeira da empresa, e não apenas pelo montante do orçamento.
- Verificar a antiguidade, os seguros e a regularidade das contas depositadas.
- Evitar adiantamentos desproporcionados e privilegiar um pagamento faseado consoante o avanço real.
- Pedir referências recentes e, se possível, ir ver obras concluídas.
- Privilegiar as empresas capazes de provar a sua solidez com um elemento objetivo e verificável.
O valor de uma avaliação independente
Avaliar por si próprio a solidez financeira de uma empresa não é simples: é preciso saber ler um balanço, interpretar rácios, comparar vários exercícios. Poucos clientes têm o tempo ou as competências para isso.
É exatamente a missão da EuroCertif: traduzir a solidez financeira de uma empresa numa nota simples, de A+ a C, acompanhada de um índice de capacidade de obra. Num relance, e sem ser contabilista, um cliente sabe a quem pode confiar o seu projeto com segurança.
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